O Carnaval se aproxima... E bate aquele desânimo só de pensar que
não há nada que se possa fazer para dar uma melhorada no corpo
a curto prazo, certo? Errado. Embora você não deva esperar por
um milagre, o pacote turbinado de drenagem linfática pode, sim, fazer
muita diferença. Os movimentos suaves e gostosos ajudam a varrer toxinas
(evitando a formação de nódulos), a eliminar líquidos
(xô, inchaço) e a oxigenar a pele (deixando-a mais macia e brilhante).
Ainda na dúvida? BOA FORMA entrevistou um time de especialistas para
esclarecer de vez o que a drenagem linfática pode fazer por você.
por Deise Garcia fotos Priscila Prade
O que é drenagem linfática? Como ela é feita?
É uma técnica de massagem que estimula o sistema linfático
a trabalhar em um ritmo mais acelerado, mobilizando a linfa até os gânglios
linfáticos. Por esse processo são eliminados o excesso de líquido
e as toxinas. “A drenagem linfática pode ser feita de forma manual,
mecânica ou por meio de uma modalidade mais recente, a eletroestimulação”,
conta Cinthia Ito, fisioterapeuta da Clínica Luciana Lourenço
Dermatologia, em São Paulo (SP). Ela é aplicada com movimentos
de pressão leve, suave, rítmica, lenta e precisa.
E o que é a linfa?
É o líquido que está contido nos vasos que compõem
o sistema linfático. “Semelhante ao plasma sanguíneo, ela
é incolor e viscosa, composta por água, substâncias orgânicas
e inorgânicas, resíduos e toxinas resultantes do trabalho do metabolismo”,
diz Maya Maalouf, diretora do Instituto Anna Pegova, em São Paulo.
Por que mexer na linfa é tão importante?
A linfa conduz o líquido excedente e as toxinas aos órgãos
excretores, provocando uma limpeza interna. Ela também é responsável
por levar oxigênio, substâncias nutritivas e hormônios para
os tecidos, o que é fundamental para o funcionamento do nosso organismo.
“Como a linfa se desloca sempre numa mesma direção, ela
depende de forças externas, tais como a gravidade, as manobras de massagem,
além das forças internas (como a contração muscular,
a pulsação das artérias próximas aos vasos, o movimento
das vísceras e os movimentos respiratórios) para funcionar como
um relógio”, diz a fisioterapeuta Priscila Bertolazzi, da Beauty
Runner, em São Paulo. “Com a massagem favorecemos o seu funcionamento”,
conclui a fisioterapeuta Roselaine Marques, também da Beauty Runner.
A coordenadora do Centro de Treinamento Estético da rede Jacques Janine,
em São Paulo, Vanda Regina da Costa, explica a ação da
drenagem: “Imagine um quintal (o corpo), onde são jogados vários
baldes de água (a linfa). Então, você pega o rodo (manobras
de drenagem linfática) e puxa toda a água para o ralo (gânglios
linfáticos) até secar o quintal, ou seja, desobstruir o local”.
Muita gente diz que a drenagem é dolorida. Tem que doer
para funcionar?
Não. A finalidade da drenagem é coletar os líquidos presos
entre as células, colocá-los nos vasos capilares e, por meio de
variados movimentos suaves, fazê-los caminhar para que sejam eliminados.
Por isso mesmo, a massagem deve ser rítmica, sem muita pressão
— já que a linfa corre na superfície da pele e seu fluxo
é relativamente lento e precisa ser respeitado. Assim, não há
a necessidade de manobras que provoquem dor ou desconforto. “A idéia
é que ela seja inclusive relaxante, causando bem-estar”, conta
a fisioterapeuta Roselaine Marques. O que acontece é que os locais com
inflamação ou cicatrizes recentes podem estar mais sensíveis.
A massagem deixa a gente roxa?
Não deve deixar, enfatizam todos os especialistas entrevistados. “O
surgimento de hematomas indica que o estímulo foi muito agressivo e houve
rompimento dos vasos e capilares venosos. Como já foi dito, a drenagem
linfática verdadeira é suave”, diz a dermatologista paulistana
Jozian Quental.
A drenagem linfática profunda é capaz de modelar o corpo? Qual
a diferença entre ela e a clássica?
A maioria dos especialistas afirma que a drenagem linfática não
pode ser chamada de profunda. “Drenagem linfática é um estímulo
externo do trabalho natural da linfa. Só existe uma maneira de fazê-lo:
com manobras precisas, lentas, leves e superficiais”, alerta a dermatologista
Ligia Kogos, de São Paulo. “Muita gente confunde drenagem linfática
com massagem clássica modeladora, executada com maior pressão
das mãos para trabalhar os nódulos celulíticos e porções
de gordura localizada e que pode, inclusive, deixar o corpo roxo”, conclui.
Por que a drenagem é sempre parte dos pacotes de tratamentos?
“Porque ela potencializa o resultado de vários tratamentos, já
que elimina as toxinas, diminui a retenção hídrica e oxigena
os tecidos”, diz a fisioterapeuta Viviane de Carvalho, da Clínica
Thyfere, em São Paulo.
Mas ela funciona sozinha?
Depende do que se espera do tratamento. Para reduzir a retenção
líquida e favorecer a eliminação de toxinas, a drenagem
oferece bons resultados. Para quadros de celulite e gordura localizada mais
graves, costuma-se associar o uso de ultra-som, ondas eletromagnéticas
que facilitam a dissolução de nódulos e gordura.
Como a drenagem combate a celulite?
Qualquer que seja a causa dos furinhos — má alimentação,
sedentarismo, cigarro, alterações hormonais, stress —, eles
começam com um processo de retenção de líquido que
acarreta má oxigenação do tecido. Sem a devida nutrição,
ele endurece até formar os nódulos. “A drenagem quebra esse
ciclo eliminando a retenção de líquido”, explica
a personal e esteticista Luciane Moraes, de São Paulo.
E a gordura?
Quando bem feita, a drenagem diminui a retenção de líquido
em áreas do corpo que estão propensas ao acúmulo de gordura,
como abdômen, coxas e culote, além de ativar o metabolismo, favorecendo
a queima dos estoques de gordura no corpo.
E contra a flacidez, existe algum resultado efetivo?
Há controvérsias. Alguns profissionais defen-dem que ela não
tem ação sobre a flacidez; outros, que ela melhora um pouco a
aparência da pele, já que facilita a oxigenação local
e a organização das células e fibras de sustentação.
“A drenagem linfática pode contribuir na prevenção
da flacidez de pele, pois está produzindo um tecido mais bem nutrido,
mas ela não recupera a flacidez já existente, principalmente se
houver sobra de pele”, explica Viviane Brant de Carvalho, da clínica
Thyfere. “Para esses casos, existem métodos como a endermologia,
intradermoterapia e prescrição de cremes com ativos como o DMAE.”
Há a necessidade do uso de um creme para a massagem? Por
quê?
Existem várias linhas de aplicação para a drenagem linfática.
As técnicas Leduc e Vodder, abrem mão de cremes e recorrem apenas
aos movimentos suaves. Outros métodos usam cremes para melhorar o deslizamento
das mãos.
Quantas sessões são indicadas para os primeiros
resultados?
Recomenda-se um mínimo de dez sessões para um resultado efetivo.
“Mas, na primeira sessão, pode-se observar melhora visível
no inchaço, na circulação, e no funcionamento do aparelho
digestivo”, conta Vanda Regina, da rede Jacques Janine.
Há algum caso em que a drenagem é contra-indicada?
Ela é contra-indicada para mulheres com diagnóstico de tumores,
abscessos e nódulos não-identificados. “As que têm
histórico de problemas circulatórios serão as mais beneficiadas
com a ação da drenagem, pois será mais visível a
diminuição da retenção de líquidos. Mas ela
apresenta bons resultados para todas”, explica a dermatologista Ligia
Kogos.
Quanto custa o tratamento?
As sessões variam de 60 a 120 reais, mas, fique de olho: as clínicas
costumam fazer planos especiais para pacotes, em que a sessão cai para
30 ou 40 reais, em média. Confira.
drenagem manual x drenagem mecânica
As duas técnicas são boas e eficientes, mas a drenagem
linfática manual é mais indicada em casos de pós-cirurgia
plástica (para redução de edemas) e para pacientes com
alteração hormonal (por conseguir realizar manobras mais suaves
e poder contar com o controle da sensibilidade da terapeuta). “A manual
propicia que a profissional observe regiões com nódulos, edemas
e trabalhe mais neste local”, diz a fisioterapeuta Cinthia Ito, da Clínica
Luciana Lourenço Dermatologia.
Extraido da Revista Boa Forma- Abril